Monthly Archives: Junho 2015

Coração tranquilo

Gente, hoje eu passei aqui só pra compartilhar com vocês um pôster para download.

Quase um mantra, escrito pelo músico Walter Franco e que eu acho que vale a pena a gente relembrar de vez em quando (sempre, na verdade!).

coração tranquilo

Quer colocar na cabeceira da cama, no painel do escritório, no quarto do filho? Clique aqui e faça o download!

Mente-quieta

E um bom final de semana para todos!

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A gente não precisa de tanto assim…

Que atire a primeira pedra quem aqui nunca se perguntou se está dando os limites certos para os seus filhos… Não ser rigoroso demais; não ser mole demais… Pelo menos aqui em casa, volta e meia eu me ponho a pensar sobre o assunto…

O curioso é que tem uma coisa sobre a qual eu não tenho muita dificuldade em estabelecer limites: a relação das crianças com o consumo. Eu cresci numa família de 5 filhos. Poucos momentos da vida a situação financeira foi uma coisa que pesou demais, mas mesmo nos tempos de vacas menos magras… éramos 5! Isso quer dizer que ninguém tinha nada a esbanjar. Como quinta filha, usei minha vida inteira as roupas que herdava das minhas irmãs, mesmo que remendadinhas. Presentes eram reservados para Natal, aniversário e dia das crianças. Ponto final! A bicicleta de um passava para o outro depois de uma pinturinha. Raramente almoçávamos fora…

E eu não tenho absolutamente NENHUMA lembrança ruim dessa realidade. A verdade é que a maioria de nós vivia com muito menos do que os nossos filhos vivem hoje, não é?… Por outro lado, nunca me faltou carinho dos pais e amigos (a casa vivia CHEIA deles).

Por isso, fico muito tranquila em dizer que eu acho, de verdade, que os meus filhos não têm que ter tudo o que eles acham que precisam. As dezenas de brinquedos que aparecem nos intervalos da TV – falando, brilhando, voando… Roupas novíssimas, que serão usadas durante uma estação, porque na próxima eles já terão crescido… Muitas vezes excessos a que os pais cedem, porque querem ver os filhos felizes e realizados. Na minha humilde opinião, essa é uma forma bastante fugaz de realização e que abre portas para um modo de relação com o dinheiro deturpada a ponto de repercutir na relação futura com o trabalho, com a família e com as imaginadas necessidades.

A gente percebe, aqui em casa, que o que atrai a atenção dos meninos na brincadeira do dia a dia é um número limitado de brinquedos – a bola, as bikes, os restos de madeiras que eles usam pra montar garagens e casas, papel e canetinhas, cordas para fazer armadilhas, quebra-cabeças, lego, copos e panelas para fazer “porções” mágicas, livros, instrumentos musicais, areia, almofadas e cobertas para fazer cabaninhas… Já não é pouco, né? Claro que os brinquedos tradicionais têm sua vez e volta e meia um torna a fazer sucesso, mas na maior parte do tempo aquele monte de bonequinhos de plástico, carrinhos e outros jogos, ficam esquecidos nas suas caixas…

E quando a gente tem um tiquinho a mais de disposição, pode mesmo construir os próprios brinquedos, o que por si só vira uma brincadeira – espadas de madeira, fantasias, brinquedos de papelão, fantoches… nada que a internet não nos ajude a fazer!

Para ilustrar esse conversê, quero contar uma história:

No início de fevereiro tínhamos ido todos para a praia e paramos na padaria na volta. Enquanto o Léo ia comprar o pão, fiquei com os meninos no carro. O Pedro ficou super interessado por uns bichinhos de madeira, desses que a gente põe no quintal e que ficam girando as patas ou as asas com o vento e que estavam à venda do outro lado da rua. Ele disse: “Mãe, eu quero um!”. Eu respondi: “Eles são bem legais, né, filho? Mas hoje a gente não vai comprar.” Acho que ele estava num dia meio da pá virada, e teve uma reação cláááássica: ficou indignado, cheio do argumento e querendo saber por quê cargas d’água ele não podia ganhar um. Quem tem filho sabe que isso não é novidade nenhuma, né?… Até que os meninos costumam ser bem tranquilos com isso. Não são de ficar pedindo muito as coisas… Mas eu achei que era um bom momento pra conversar um pouquinho sobre o assunto. Também não fico colocando pressão neles, de quanto eu gasto com a escola, com a comida, trá lá lá… Mas foi um bom ensejo pra explicar que a gente não pode ficar comprando tudo o que a gente quer, que eu e o pai deles trabalhamos pra poder comprar a comida, pagar as contas de casa, a escola… e que se a gente começasse a gastar mais e quisesse comprar mais coisas, provavelmente teríamos que trabalhar mais também e que talvez não desse pra ficar com eles durante as tardes… e que, por outro lado, a gente tem que pensar se precisamos mesmo das coisas que a gente sente vontade de ter…. bom, foi um papo breve, mas que fez ele parar com a birra e pensar um pouquinho…

Alguns dias depois, surgiu a seguinte questão: ele achou que precisava de uma bike maior. A gente até concordou que talvez fosse bom pra ele, mas e aí, né?… “Puxa, Pedro, seu aniversário passou agora e o Natal está tão longe…” Aí eu decidi propôr o seguinte: “Quem sabe a gente faz biscoitinhos de páscoa e vende nas casas do bairro pra juntar o dinheiro? Eu posso te ajudar.” Ele topou na hora e a gente começou a produção. Eu achei bem interessante que na época eu postei no instagram (@la_de_casa) uma foto dele com uma cesta cheia de biscoitinhos embalados e várias pessoas acharam massa eu estimular nele esse lado empreendedor… Puxa vida, até que eu ia achar bacana, mas eu mesma não tenho esse perfil e acho que ele também não tem ainda… Eu queria apenas mostrar que a gente precisa se dedicar de verdade pra conseguir comprar coisas. Que ele entendesse pelo menos parcialmente o valor do dinheiro. E, nas semanas seguintes, mesmo um tantinho tímido, ele foi acompanhado da avó ou de mim, nas casas da vizinhança, vender biscoitos.

Tudo pela bike

Claro que todos queriam ajudar e ele acabou juntando com certa facilidade uns 80% do dinheiro que precisa para comprar a bicicleta nova. A Páscoa passou e os outros 20% ainda estão esperando ele se animar de novo… uma hora dessas vai, acho que assim que a bike dele ficar pequena demais mesmo.Bike

Enfim, na nossa opinião aqui em casa, dar tudo de melhor para os filhos não significa, nem de perto, dar TUDO. O que eles mais precisam são as coisas que a gente não pode comprar, não é isso? Carinho, presença, escuta, paciência, conversa olho no olho… e claro, amigos!

(Não sou hipócrita em dizer que eles vivem com pouco. Eles têm uma casa confortável, comidinha boa, roupas quentinhas, passeiam um bocado… e é óbvio que falar em felicidade é muito mais fácil quando não se tem nenhuma necessidade básico não atendida!)

Alimento esperanças de que os meninos cresçam percebendo que precisam VIVER mais do que precisam TER. E que isso se reflita nas opções que eles fizerem no futuro com relação ao seu trabalho e às suas relações afetivas. Isso, sim, poderá contribuir para que eles sejam adultos felizes e realizados.

E vocês, o que acham disso?

Talvez só quem ainda não tem filhos ache moleza esse tal de educar, não é? Para mim, continua sendo de arrepiar os cabelos, mas vale demais a pena!!!

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