Amamentar me alimenta

amamentarEu lembro muito vivamente dos seus pequenos e atentos olhinhos, mirando o meu rosto enquanto mamava, nos seus primeiros meses de vida. Parece que era o momento em que ele criava a consciência de que aquela pessoa que estava olhando para ele, era a pessoa que podia manter sua vida. Naquele momento, eu era ele e ele era eu. O tempo passou e esse gurizinho agora já anda descoladinho. Mama virando a cabeça, à procura do barulho dos irmãos. Vez ou outra, nesse reboliço, o peito escapa e aí ele me olha e dá uma boa risada, mostrando os pequenos dentinhos. Dois segundinhos e já pode voltar a mamar. Parece que ele agora já sabe que eu vou continuar ali se ele fechar os olhos ou se distrair. E assim ele se esconde embaixo da minha roupa. Fica brincando com ela ou fazendo um carinho na minha mão. Continua sendo uma delícia amamentar o meu pequeno. Essa nossa troca me alimenta a alma!

Mas o começo não foi fácil. Dor, sangue, lágrimas… Assim como foi o meu começo com o Pedro. Ai, que sufoco lembrar do desespero que batia cada vez que se aproximava do horário da próxima mamada! Até me arrepia! Foi MUITO difícil… Difícil a ponto de eu achar que eu estava enganada. Que esse negócio de ser mãe não era pra mim! Bicos de silicone, seringas, colheres, sondas… tentei de tudo que eu já tinha visto ou ouvido falar. Só piorava! Aí quando o baixinho estava com 10 dias de vida (que pareciam uma eternidade!) e eu queria enfiar a cabeça do marido no minhocário, porque ele era o responsável por aquilo (Rs), eu resolvi pedir ajuda pra quem entende muito do assunto: as funcionárias do Banco de Leite! E foi então que eu e meu primeiro filho encontramos a nossa sintonia. Cinco dias depois, a nossa vida já era outra! Eu já podia até me sentir mãe.

O Caetano já nasceu me mostrando que mamar era coisa que ele sabia fazer até de cabeça pra baixo! E o Rafa? Bom, tivemos nossas dificuldades, mas a diferença era que eu sabia que em pouquíssimo tempo, acertaríamos o compasso e que ficaria tudo bem.

Estamos na Semana Mundial do Aleitamento Materno. Talvez ninguém precise dos meus conselhos, mas se me fosse dada a oportunidade de pegar na mão de uma mãe que tem seu bebê recém-nascido nos braços e que está com dificuldades para amamentar, eu diria que ela não está sozinha. Eu gostaria de dizer que eu posso ajudá-la a encontrar ajuda. Que isso vai passar. Que vale a pena tentar. Por outro lado, se essa mãe quis, se ela tentou e não deu certo; ou mesmo se ela não podia… eu diria a ela que não se martirize! Nós, mães, já nos colocamos culpas demais. Essa não é a única forma de estabelecer vínculos afetivos sólidos com nossos filho. Eu diria a ela que alimente seu filho com o alimento possível e com o calor do seu colo, a segurança do seu olhar. Vai ficar tudo bem…

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