Minha mãe

Hoje estávamos na casa da minha mãe com a criançada toda – seus netos e as amigas dos netos! De repente surgiu uma briga porque os meninos estavam chamando insistentemente a minha sobrinha para brincar e, quando finalmente ela foi, era uma cilada! Eles decidiram que ela era o lobo e começaram a atacá-la com os lenços que tinham em mãos! (ainda bem que eram lenços. Rsss) Ela ficou suuuper triste e começou a chorar! Coisa do dia a dia, né? Das várias brigas que acontecem entre as crianças (pelo menos aqui em casa…). Aí eu ouço a minha mãe, que estava por perto, se aproximar da minha sobrinha e dizer pra ela: “Giu, se tu não gostou, fala pra eles (e com a voz muito braba, ela deu a dica) – Eu não quero essa brincadeira. Não gostei!” E complementou: “Não é porque você é menina que tem que chorar por causa disso! Pode se defender!”

Durona a dona Liane, não? Pois foi assim que a minha mãe criou suas 4 filhas e 1 filho.

mãe

Essa mulher que eu tenho o prazer de chamar de mãe me ensinou coisas que parecem de muita ambiguidade, mas que a tornam uma pessoa de um equilíbrio incrível! Ao mesmo tempo em que sempre foi uma mãe amorosa, cuidadora, presente… SEMPRE me ensinou que temos que ser donas das nossas vidas. Se não concorda, se defenda! Se alguma coisa precisa ser feita, faça! Mesmo que seja instalar um chuveiro, limpar a caixa de esgoto, consertar os vazamentos no telhado… (até hoje ela faz isso). Não sei bem se ela tem noção de que isso tenha me marcado tanto, até porque aprendi mais por observação do que por palavras.

Depois que ela teve o terceiro filho, parou de trabalhar até que estivéssemos mais crescidos. E eu nunca ouvi ela reclamar de falta de tempo, de cansaço, de saco cheio das brigas… Ela botava esse monte de filhos pra dentro do carro, frequentemente carregando uns amiguinhos também, e levava pra praia, pro supermercado, pra aula de inglês, natação, piano, vela, dança, surf… ou seja lá o que a gente escolhesse…

Foi ela quem me levou para fazer a primeira trilha, aos 4 anos. Ela e os 5 filhos, caminhando numa boa dentro do mato por pelo menos umas 3 horas. Ela era quem arrumava a tralha toda pra nos levar pra acampar. Ela é quem deixava a gente encher (encher mesmo!) a casa de amigos em qualquer dia da semana.

Minha mãe me ensinou que lama não é pra gente ter nojinho; é pra enfiar o pé! Me ensinou que árvores existem para dar sombra e limpar o ar, mas que elas também precisam ser escaladas! Me ensinou que crianças podem, sim, andar de pés descalços e sem camisa no inverno, se não estiverem sentindo frio. Me ensinou que se a gente tropeça, deve levantar, sacudir a poeira e seguir em frente. E ao mesmo tempo, me ensinou que um abraço e um beijo de mãe curam tudo! Me ensinou que eu tenho que ser generosa; que eu devo manter o coração aberto; e que é minha obrigação ser correta no relacionamento com as pessoas e com as coisas.

Mesmo nos momentos mais difíceis das nossas vidas, quando fraquejar seria mais do que compreensível, ela nos mostrava que um brotinho de alegria e leveza no coração sempre podem resistir e nos dar novos sentidos, novas esperanças… e qualquer lamento que pudesse sair de sua boca, sempre vinha seguido de um “…mas não tem problema. A gente vai dar um jeito…”

Enfim, minha querida e amada mãe… obrigada por me ensinar a amar e a ser forte. Tu és porto seguro e és referência pra mim hoje e sempre!

Parabéns pelo teu aniversário!

mãe

Você também poderá gostar de:

Add a comment...

Your email is never published or shared. Required fields are marked *

POSTS RECENTES

FAVORITOS DE TODOS OS TEMPOS