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Morangos Orgânicos sem Açúcar

conversa-de-parquinho

(“O parquinho da conversa”, 3 anos atrás!)

 

Vejam se alguém se identifica com essa arrepiante, embora verídica, conversa de parquinho:

“Oi, tudo bem? Esse é o meu filho. Ele adora morangos. Sem açúcar, é claro! E orgânicos. Nossa, ele nunca comeu um brigadeiro. Também acho até que ele nem ia gostar. Não está acostumado com doces, sabe? No almoço? Ah, ele é ótimo. Hoje eu fiz um peixinho no óleo de côco. Sabe como é, né? Ômega 3 é super importante pro desenvolvimento neurológico dele e ele já entende isso.”

Gente, eu juro que se eu estou exagerando, é só um tiquinho… TODO parquinho da cidade tem uma mãe-super-bem-sucedida que fica vomitando vantagens pros ouvidos desavisados. Eu tenho pavor disso!!!

Não, a alimentação dos guris não é o meu Calcanhar de Aquiles. Nem de perto! Tá tudo ótimo por aqui nesse departamento. Mas… poderia ser… Eu poderia ser aquela mãe que faz de tudo para que o filho se alimente bem. Que já tentou as frutas de A a Z. Já recorreu às fadas do feijão. Já fez chantagem. Já batizou. Já fez curso de culinária. Já subiu a escadaria da Igreja de joelhos… e nada resolveu! O filho não come mais do que 4 ingredientes. E esse tro-lo-ló de parquinho ia me pesar feito as pedras na barriga do lobo! Afe!!!!

Claro que os morangos orgânicos não estão sozinhos. Eventualmente eles são substituídos por: “Meu filho já sabe escrever em letra cursiva. Veja só… e ele ainda não tem nem 5 anos. Estou procurando alguma escola que tenha um bom trabalho com crianças superdotadas. Você conhece alguma? Ele precisa de uma atenção diferenciada, sabe…”

Ou essa aqui: “O desfralde dele foi uma tranquilidade. Com 1 ano e meio ele mesmo pediu pra tirar as fraldas, acredita? Ele sempre foi mais maduro do que as outras crianças…”

Tem outra também: “Galinha Pintadinha? Ah, não, meu filho não conhece. Ele não vê TV. Eu sempre estou pronta a oferecer uma atividade pedagogicamente interessante pra ele.”

Vocês vão me perdoar a irritação carregada nessas reproduções (sim, já ouvi todas elas..), mas a conversa de parquinho de ontem me deixou assim com esse nó na garganta!

Mães do meu Brasil… uni-vos! Cuidemos umas das outras! Cuidemos com o que falamos. Saibamos que quem ouve tem, também, suas vitórias; mas tem suas dores, suas pendengas, seus Calcanhares de Aquiles! E que não vai ter troféu pra ninguém no fim do ano!!! #dormecomessa

E tô falando pras mães mesmo. Porque somos mulheres e sabemos o que é a cassetada de responsabilidades que a maternidade nos entrega no colo. São muitos parâmetros de sucesso. Nós vamos adoecer se não dermos as mãos em vez de ficarmos apontando as feridas alheias!

(Me ocorreu agora de resgatar aquela velha praga: “Se apontar pra ferida alheia vai crescer uma verruga na ponta do dedo, viu!?” huahuahua…)

Se você oferece para o seu filho a melhor comida do parquinho, mas não deixa ele subir na casinha porque tem medo que ele se machuque… Acredite – você tem muito a ensinar, mas também tem muito a aprender!

Solidariedade e generosidade com a maternidade alheia podem deixar tudo mais leve e, não por coincidência, tornar os nossos filhos pessoas melhores e mais felizes. Podem acreditar! Bora dar as mãos, ouvir com atenção e falar com calma. Vai dar certo…

PS1: (dedico esse post à minha comadre, com quem já ri muito das lambadas que levamos nas conversas de parquinho. Valeu, Ju!!!)

PS2: (peço sinceras desculpas se alguma coisa que eu já tenha escrito aqui no blog tenha soado como exibicionismo. Essa não será nunca a intenção! De fato, provavelmente eu já compartilhei por aqui mais alegrias do que roubadas maternas. Vou ficar atenta às palavras. Juro! E tamo junto. Errando e acertando…)

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  • Elle Forest Green - 10/07/2017 - 19:32

    Adorei este post! Quantas vezes já ouvi este tipo de conversa…A mãe de uma das coleguinhas do meu filho dizia exatamente isso, – minha filha não come doce de jeito nenhum e nem gosta porque eu já até tentei dar…- A gente até sabe que as vezes isso é só papo furado mas no fundo acaba se sentindo um pouco relapsa quando ouvimos esse tipo de coisa. Demorei muito pra aprender que cada um que crie seus filhos como quiser e eu, por minha vez faço o melhor que posso com os meus, longe de perfeicão.

    Bj.ReplyCancel

    • Francine Bagnati - 22/07/2017 - 23:49

      É isso aí, Elle! Certamente fazemos sempre o melhor que podemos, do jeito que sabemos. Claro que aprender e compartilhar aprendizados nessa tal maternidade é mais do que necessário, né? Que a gente consiga fazer isso de maneira solidária…
      Beijão aí!!!
      <3ReplyCancel

  • Julia - 08/07/2017 - 14:40

    Essa maternidade perfeita gratiluz q algumas pregam é muito cansativa, chata e segregadora né.
    Acaba sendo uma competição de quem faz mais e melhor q é de dar dó, mas ao mesmo tempo faz um mal danado (tanto p/ quem está ao redor qto p/ a própria mulher)ReplyCancel

    • Francine Bagnati - 09/07/2017 - 23:30

      Nossa, isso é muito triste, né, Julia? Não tem NADA de bom nisso!…
      Bora dar as mãos! 😉
      <3ReplyCancel

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